Em 2009, numa viagem em família, Paris foi a primeira parada. A viagem foi muito simples. Por isso, não teve o glamour de grandes restaurantes nem estrelas Michelin. Ainda assim, foi maravilhosa. É dessa Paris possível, de café, padaria e confeitaria, que nasce este Caderno de Viagem. Embora muita coisa tenha mudado desde então, as lembranças valem pelo sabor, não pelos endereços.
O percurso começa com a chegada e segue por quatro paradas, cada uma com um capítulo do LabCoccina. Assim, em cada uma, conto o que vivi e deixo o caminho para quem quiser entender, com ciência e história, o que estava no prato. Portanto, se você vai a Paris ou se só quer viajar daqui mesmo, este é um roteiro do que comer em Paris sem pressa e sem gastar fortunas.

A chegada: pizza de cogumelos num bistrô perto da torre
Logo que cheguei, fui comer uma pizza de cogumelos num bistrô perto da Torre Eiffel, com mesas na calçada. Estava deliciosa. Além disso, nas fotos que guardei estão o toldo branco escrito Bistro, as cadeiras de vime trançado e as mesinhas na calçada, tão parisienses. Assim, a primeira refeição da viagem já dizia muito sobre a Paris que eu ia encontrar: simples, acolhedora e vivida ao ar livre.

No LabCoccina: a pizza tem a sua própria história, e ela mora na Itália, um dos próximos destinos de Sabores do Mundo. Enquanto isso, a ciência da massa fermentada está no Livro do Pão.
Manhã: café com creme e croissant, com vista para a torre
Tomar o café da manhã com vista para a Torre Eiffel, com café expresso e creme e um croissant, não tem preço. Era um café da manhã simples. Mesmo assim, ficou para sempre.

No LabCoccina: o croissant não nasceu do cerco de Viena, e suas camadas são pura física de manteiga e vapor. Leia Croissant: a massa que respira em camadas. Para o café, o Livro do Café explica a extração.
A baguete: das boulangeries à Torre Eiffel
As baguetes nas boulangeries foram inesquecíveis. Aliás, em Paris, o pão está em toda esquina, nos cestos das vitrines e debaixo do braço de quem passa. Por isso, entrar numa padaria e sair com uma baguete é um dos rituais mais simples e mais bonitos da cidade.
Mais tarde, foi na própria Torre Eiffel, num dos buffets, que comi a tradicional baguete francesa num sanduíche, de pé numa mesinha alta, ainda embrulhado no saquinho de papel. Assim, o pão mais simples de Paris, comido no seu monumento mais famoso: uma lembrança que junta o cotidiano e o grandioso.

No LabCoccina: esse ritual diário é patrimônio cultural da humanidade desde 2022. Leia Baguete: quatro ingredientes e um patrimônio da humanidade.
Num café parisiense: tarte Tatin
Comer uma tarte Tatin num café parisiense foi inesquecível. Afinal, maçãs, caramelo e massa formam uma sobremesa sem enfeite, que é justamente a sua graça.

No LabCoccina: as irmãs Tatin existiram, mas o famoso erro na cozinha é lenda, e o açúcar do caramelo não derrete, ele se transforma. Leia Tarte Tatin: o caramelo, as maçãs e a lenda das irmãs.
Na Ladurée do Louvre: macarons para levar à família
Na galeria do Museu do Louvre, entrei na Ladurée e experimentei seus famosos macarons. No entanto, a lembrança mais especial não ficou apenas no sabor. Guardei a delicada caixa verde, com ornamentos dourados, e a carreguei cuidadosamente durante o restante da viagem. Por isso, queria levar aqueles pequenos doces franceses para compartilhar com minha família. Assim, era uma maneira de trazer um pedacinho de Paris para casa.

No LabCoccina: o macaron não chegou com Catarina de Médici, e o pé rendado é física de espuma. Leia Macaron: o merengue que virou joia.
Para quem vai a Paris
- Na boulangerie, peça a “tradition”: por lei, o pão de tradição francesa não leva aditivos nem passa por congelamento.
- Prove a baguete num sanduíche, como o clássico jambon-beurre (manteiga e presunto) ou o jambon-fromage, com queijo: é o almoço simples de Paris. Eu provei o meu na própria Torre Eiffel.
- Coma a baguete no mesmo dia: ela endurece em poucas horas, e é por isso que os franceses compram pão todos os dias.
- Olhe as camadas do croissant: folhas visíveis nas laterais, cor dourada e leveza na mão dizem mais que o formato.
- Peça a Tatin morna: é quando o caramelo está macio; na França, é comum servi-la com crème fraîche.
- Guarde os macarons na geladeira, na caixa bem fechada, e tire-os de 15 a 20 minutos antes de comer, como orienta a própria Ladurée. A caixa fechada protege a casca da umidade.
- Escolha o simples: um café com vista, uma padaria de bairro e uma confeitaria bastam para uma Paris inesquecível.
Uma Paris simples e possível
No fim, não precisei de restaurantes estrelados para guardar Paris na memória. Bastaram uma pizza num bistrô de calçada, um café da manhã, as boulangeries, um café parisiense e os macarons. Além disso, cada um desses sabores tem séculos de história e muita ciência por trás. Foi isso que eu quis trazer para o LabCoccina: explicar com clareza, investigar com rigor e contar com afeto.
Este é o primeiro Caderno de Viagem de Sabores do Mundo. Aos poucos, os próximos destinos virão das minhas outras viagens. E se você quer começar pela base de tudo, o Livro do Pão espera na estante.


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